Pesca de caiaque também rende peixão nos rios do brasil

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Pesca de caiaque também rende peixão

A emoção de fisgar um bitelo a bordo de um caiaque é intensa, vale tentar!


Mesmo com o rápido crescimento e do grande interesse que vem despertando a pesca de caiaque no Brasil, ainda é comum que ele se associe apenas a uma pescaria de baixo custo e divertida, como uma forma de passar o tempo de maneira agradável, mas sem grandes expectativas quanto a capturas expressivas.

A proposta dessa matéria é justamente mostrar que esse pensamento não reflete o enorme potencial da modalidade, que pode sim render muito mais do que apenas momentos divertidos e fisgadas de exemplares de pequeno e médio porte.

Desbravar é preciso

Para quem quer capturar aquele tão sonhado “troféu” a bordo de um caiaque, a primeira e mais importante dica é buscar os pontos de pesca mais promissores. Por vezes, isso significa ir aonde os outros não vão, explorar lugares distantes ou escondidos que sofram uma pressão de pesca menor e que, consequentemente, tenham maior potencial de abrigar um bom número de peixes maiores.

Para encarar essa jornada, é vital que o caiaqueiro tenha não apenas espírito aventureiro, mas também um condicionamento físico razoável e bom senso para reconhecer suas limitações e as limitações desse tipo de embarcação.

Uma possibilidade de compensar o alcance menor e a autonomia limitada que se tem quando se pesca de caiaque é fazer um bom planejamento antes de cada pescaria. As ferramentas que fornecem gratuitamente imagens de satélite, facilmente encontradas na internet hoje em dia, são um excelente auxílio para planejar uma empreitada de pesca. Com elas é possível fazer um estudo prévio do lugar onde se pretende pescar, incluindo avaliar o percurso a ser feito, a existência de obstáculos no curso d’água escolhido, os acessos possíveis por terra até o local de partida, entre outros fatores importantes para o sucesso e para a segurança da pescaria.

Atrás dos grandes

Para aumentar as chances de capturar os exemplares troféus é essencial ao caiaqueiro uma boa dose de empenho e disposição, paciência e persistência para testar diferentes abordagens, além de uma boa leitura dos pontos de pesca e de um bom conhecimento dos hábitos de cada espécie que almeja fisgar.

Para cada tipo de peixe, a busca deve ser feita em um ambiente específico. Na água doce, por exemplo, os grandes peixes de couro costumam preferir locais mais profundos, de água corrente, onde haja estruturas submersas. Os poços formados abaixo de corredeiras são excelentes pontos que merecem o investimento do tempo do pescador. Alguns peixes de couro, entretanto, podem fugir dessa regra, como é o caso da cachara, que muitas vezes pode ser capturada em lugares mais rasos e espraiados.

Ambientes de forte correnteza, por sua vez, são promissores para peixes como apapás, jatuaranas, bicudas e cachorras. Já os tucunarés, traíras e pirarucus preferem os lagos e remansos que se formam ao longo dos rios.

É muito importante conhecer os locais mais frequentados por cada espécie, para maximizar a chance de captura. Sem esse conhecimento, o pescador corre o risco de passar por pontos extremamente promissores sem sequer arremessar sua linha na água, ou utilizando uma isca inadequada para a espécie mais provável de se encontrar ali.

Isca grande, peixe grande? Nem sempre…

Numa atividade dinâmica como a pesca esportiva não existem regras infalíveis. A máxima “isca grande, peixe grade” é mais um paradigma a ser quebrado. Em alguns casos, o uso de iscas grandes pode sim melhorar as chances de capturar o tão almejado troféu; em outros, pode ser sinônimo de pouca ou nenhuma atividade na ponta da linha.

No caso da pesca com iscas artificiais, temos espécies que possuem comportamento mais agressivo e menos “desconfiado”, que por sua própria característica se sentem atraídas por iscas maiores e espalhafatosas, como os tucunarés, cachorras, traíras, etc. Contudo, existem várias outras espécies que têm por hábito a furtividade, como vários dos peixes de couro, e outras ainda que são bastante ariscas, preferindo iscas pequenas e silenciosas, inclusive espécimes de maior porte, como é o caso do apapá, da jatuarana, da pirapitinga, entre outros.

É importante também o pescador livrar-se de preconceitos. Digo isto porque sempre tive grande resistência aos frogs, mas acabei adquirindo um, por motivo do sistema anti-enrosco. O desfecho foi que, brincando com as traíras, acabei por fisgar a bela cachara que compõe esta matéria, em um ataque fenomenal na superfície. O mesmo pode-se dizer dos jumping jigs e das soft baits, iscas curingas que podem salvar um dia de pesca em água doce e resultar em expressivas capturas, como ocorreu com o tucunaré e a dourada que também ilustram este nosso texto.

O grande momento

Planejando, observando, testando e insistindo, certamente o pescador chegará ao momento em que fisgará o tão almejado troféu. Só que fisgá-lo é apenas o começo. Para ter sucesso na peleja, o fator mais importante é manter a calma e estar preparado para batalhar adequadamente.

Peixes que “brigam sujo” irão procurar refúgio imediato em estruturas próximas, logo após serem fisgados. No caso destes será necessário frear seu impulso inicial, sob pena de perdê-los ainda no começo da briga. Também é muito importante manter o remo facilmente acessível, como no colo, por exemplo, a postos, para evitar que o caiaque seja rebocado para um local que seja mais vantajoso ao peixe do que ao pescador.

Já no caso de espécies que “brigam limpo”, mantendo-se no leito do rio e na coluna d’água, a recomendação é não forçar muito, deixando o caiaque navegar sem problemas até que o peixe se canse, fazendo apenas alguns ajustes de posicionamento quando necessário. Uma vez que o peixe demonstre sinais de cansaço, o pescador pode começar o procedimento de trazê-lo para perto do caiaque.

Começa então um dos pontos críticos da batalha: a hora de embarcar o peixe. Grande parte das fugas, seja por movimentação brusca do peixe, seja por rompimento de linha, ocorre justamente nessa hora. Nesse momento é preciso controlar a empolgação e, mesmo vendo o sonhado troféu tão perto, deixá-lo terminar de gastar suas energias, para só então fazer um embarque suave e seguro, tanto para o peixe quanto para o pescador.

Dessa maneira, você poderá ter em suas mãos um belo exemplar, para fotografá-lo e, torço eu, devolvê-lo à natureza, presenteando com a manutenção da vida aquele que lhe proporcionou tamanha alegria.

Fonte : revistapescaecompanhia.com.br

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