Escola de Samba Portela, campeã do carnaval 2017, fala sobre a importância dos rios

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Escola de samba Portela, campeã do carnaval 2017, fala sobre a importância dos rios


Entrando na avenida falando sobre a importância dos rios para a formação da humanidade e a tragédia de Mariana.

 Com o enredo “Quem nunca sentiu o corpo arrepiar ao ver esse rio passar”, a escola de Madureira começou falando das nascentes e de como os rios foram dando início a povoados, aldeias e civilizações, a comissão de frente representou uma piracema, com componentes vestidos de peixe e nadando em direção à nascente. Uma das alas era de “crocodilos” que rastejaram na avenida. O quarto carro trocou o azul das águas pelo marrom, para lembrar como ficou o Rio Doce após o desastre ambiental de Mariana (MG).

Entrando na Avenida como um grande rio para receber as águas doces que atravessam o mundo, irrigando de sabedoria e de encantamento a existência humana. Nasce na Fonte da Vida e, ao longo do percurso, a ele juntam-se outros cursos d’água, que chegam de todos os tempos e lugares e contribuem para mostrar a importância desse recurso natural insubstituível, bem como influência dos rios na história do homem e suas relações com as águas que alimentam o planeta.

 Para falar das águas que sustentam a vida, a Escola se torna o próprio rio, O enredo faz uma homenagem à Escola, que ao longo de seu percurso, nessa travessia percorrem o leito desse grande rio aqueles que ensinaram a navegar.

A Portela iniciou seu desfile com a Comissão de Frente representando a Piracema, fenômeno em que os peixes nadam contra a correnteza em direção à foz, para se reproduzirem.

 A imagem, muito além de apresentar um dos aspectos mais importantes de reprodução da vida desse ecossistema, traduz a força capaz de ultrapassar qualquer obstáculo, resistindo a todas as adversidades em busca de um objetivo, mostrando que o final do percurso é também o lugar onde a vida recomeça.

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A água deixa de ser apenas parte fundamental da natureza externa e da vida biológica para se tornar dimensão essencial da existência humana. A mãe natureza, que faz brotar do chão a água límpida, espalha a fertilidade e a abundância por todo o planeta.

A nascente do rio tem a cor do ouro porque guarda o bem mais precioso da humanidade. A água doce dos rios, que encharca o solo e produz prosperidade.

O enredo também fala sobre o desperdício , e a poluição dos rios, fator que ameaça a reserva de água do planeta, e seu esgotamento é um risco iminente, pois sem água o mundo caminha para a escassez da fonte vital da vida.

A própria história da humanidade se faz a partir do curso de um rio, pelas quais os povos se desenvolvem, O rio cresce enquanto se afasta da nascente, recebendo as águas e os seres de seus afluentes.

 

Não esquecendo do pescador, que de anzol ou de tarrafa, vivem desse ofício que acompanha a humanidade desde o início dos tempos, e que retiram seu sustento de dentro do rio.

O pescador conhece o movimento das águas, observa o nível e a vazão, as cheias e as estiagens, podendo ser encontrado em qualquer ponto do rio durante a pesca, pois sua vida pertence ao rio e sem ele não encontra sustento.

A morte do rio, também é representada na avenida, fazendo referência ao desastre ambiental da tragédia de  Mariana, servindo como uma alerta para a luta pela preservação do meio ambiente. “Quem deságua em pranto de tristeza e sofrimento é o rio Doce.” Os danos causados pelo maior desastre ambiental do Brasil, arrastando consigo casas, vidas e sonhos, além dos danos irreversíveis…. O rio morreu e o pescador deixa escorrer, entre os dedos, o que dele restou, em um lamento de quem perdeu o rio e o rumo.
O rio da vida que segue sem parar, em direção ao seu destino! Cada nova lembrança pode se transformar em um rio de lágrimas provocado pela emoção. 

“O perfume da flor é seu / O olhar marejou sou eu / Quem nunca sentiu o corpo arrepiar ao ver esse rio passar…”. 

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Fonte: www.gresportela.org.br