O novo Sistema de Tratamento e Visualização de Dados (STVD) do Centro de Controle de Aproximação de voos (APP) do Aeroporto Internacional Foz do Iguaçu—Cataratas beneficia diretamente o turismo. A influência direta a um dos principais motores da economia iguaçuense se dará por meio da ampliação, otimização e modernização do controle de tráfego aéreo. Implantando há cerca de seis meses, o novo sistema foi apresentado ontem à imprensa.
Responsável pelo controle do tráfego de aviões para pouso e decolagem, o APP de Foz do Iguaçu, gerencia cerca de 100 voos diários. Número que aumenta em cerca de 25% em época de feriados e na alta temporada. Parte do programa de modernização do Comando da Aeronáutica, o STVD possui tecnologia 100% nacional e além de atualizado, permitiu a otimização das operações.
Além de Foz, já foram modernizados os centros de controle de Recife (PE), Porto Alegre (RS), Florianópolis (SC), Salvador (BA), Belém (PA), Natal (RN), Brasília, Pirassununga (SP), Curitiba, Cuiabá (MT), Campo Grande (MS), Manaus (AM), Anápolis (GO) e Fortaleza (CE). Restam ainda Porto Seguro (BA) e Macaé (RJ).
Foz
Especificamente em Foz, os novos equipamentos (hardware) e software (programas) substituíram um antigo equipamento de origem francesa, mas que durante os seus 18 anos de uso foi sendo atualizado por tecnologia brasileira. A substituição do antigo sistema, não apenas em Foz, mas como em todo o Brasil, segue uma ação iniciada entre as décadas de 70 e 80 e consiste na atualização dos centros por meio de tecnologia de última geração.
“A aeronáutica sempre esteve procurando a independência até por conta da nossa soberania. Foi criado na época um grupo (de trabalho) e adquirimos equipamentos e fomos (ao exterior) para adquirir conhecimento. Desde então, este grupo veio trabalhando até que nos últimos dez anos estamos à frente em termos de controle de tráfego aéreo em produção de software”, explicou o coronel-aviador Leônidas de Araújo Medeiros Júnior, comandante do Cindacta II (segundo Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo, cuja sede é em Curitiba).
Apesar de as máquinas também serem novas e permitirem, por exemplo, que os controladores trabalhem com o ambiente iluminado — ao contrário do equipamento antigo, em que o radar com fundo preto e ícones verdes não permitia isso — o mais importante no novo STVD do centro de Foz é justamente software.
Conforme o diretor da Atech, empresa que desenvolveu este programa, o processo para o desenvolvimento do sistema, que se iniciou nas décadas de 70 e 80, partiu da ida de engenheiros brasileiros ao exterior, onde obtiveram conhecimento sobre a tecnologia. “Depois que eles voltaram, começaram a desenvolver os primeiros softwares nacionais. De 90 até agora estamos num processo de evolução continuada. Iniciamos a primeira instalação deste programa em 1994 e agora este. O ponto principal é o software. O hardware (equipamento) é o existente no mercado. Diferente dos antigos” explicou Delfim Miyamaru.
Apesar de o software ser o principal no sistema, os equipamentos também são de ponta, com monitores de alta resolução, utilizados tanto para este tipo de aplicação quanto na área médica, em cirurgias. “O papel da empresa que trabalho (Atech) é justamente fazer o software que hoje congrega estes engenheiros que fizeram esta absorção de tecnologia e estamos fazendo o desenvolvimento deste programa e implantando-o”.
Turismo
A modernização do sistema em Foz, permitirá o aumento do tráfego aéreo, beneficiando o turismo “diretamente”, lembrou o comandante do Cindacta II. Como explicou o coronel, “com o aumento da capacidade de tráfego aéreo, de absorção operacional, pode-se gerenciar o dobro de tráfego aéreo que antes”: “Tecnicamente tenho capacidade para até mais, só que vai faltar local para pousar. Tecnicamente, aumento em cinco vezes”, disse. O entrave operacional estaria na falta de locais para os aviões pousarem.
Além do controle do tráfego de terminal iguaçuense, o APP de Foz atende aos aeroportos Cataratas do Iguaçu (Puerto Iguazú) e Guarani (Minga-Guazu) e outros 5 aeródromos pequenos, que quando decolam pedem autorização ao centro de controle de aproximação.
Gazeta do Iguaçu








